O Calvário da Terra
No chão de barro molhado
Segue o índio para o seu calvário,
Com passos compassados
Em caminhos que outrora
A vida representava.
A várzea agora ampara as lágrimas
Do poderoso Tupã.
As lutas foram enterradas sob a terra,
E curumins e cunhantãs, agora,
Estão presos ao sonho da caixa-preta
De brilho cintilante...
A chuva leva as marcas do rosto
Dos guerreiros sem luta.
As lembranças proclamadas ao vento
Perderam-se nas cordilheiras do tempo.
Seu maior tesouro descansa em paz
A sete palmos no fundo do rio.
E agora, quem somos nós?
(Gheysa Moura)
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