Bem Vindo!

Ler é mais que decifrar códigos linguísticos...
É ver o que mais ninguém vê...
Ler é viver, é sonhar, é renascer
A cada amanhecer...
Ler é um encontro com a realidade dos sonhos
Descobrindo a cada segundo
Um mundo novo, escondido ao nosso redor...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

AMADINHO

 AMADINHO

Queria eu saber usar das palavras como
Quintana e tirar da cartola o coelho
Transformando o simples em magia
Olhando flores em jardins de esperança
Ouvindo a música do silêncio
Aonde a infelicidade se faz feliz
Ah!
Tempo, vento, tempo
Leve-me até o fim
Mesmo que minha voz não possa ir
Escuridão já não existe
Se as labaredas do entardecer
Anunciarem a chegada da loucura.


--
Gheysa Daniele

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SUA VOLTA

SUA VOLTA

Quando nos separamos?
Em minha lembrança existe apenas
O calor do seu corpo junto ao meu
Olho para o firmamento e vejo
Um misto de verdade e mistério
Seguindo a esmo
Mas certa de onde irei chegar
Não importa a profundidade
Do mar, meus pés estão
Firmes caminhando ao teu lado....
Em meu corpo somente
A suavidade de suas mãos
Silenciosamente este sonho
A mais que parece
Nunca ter fim...

Gheysa Moura

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

QUEM ÉS?

QUEM ÉS?

Sinto sua chegada nas ondas do mar
Libertando-me da liberdade
Fecho os olhos para encontrar teu olhar.

Conheço sua alma desconhecendo
Tua calma e tua impaciência
Basta ouvir os teus passos na praia.

Não sei qual a magia que usas
Apenas vejo seu barco aportar
Fazendo-me correr ao teu encontro.

Mas tudo parece ter fim
As ondas encontram meu corpo
Levando o que resta de você em mim.

Gheysa Moura

sábado, 18 de setembro de 2010

REVELACIÓN


REVELACIÓN

El universo se expresa en palabras
Dentro de mi alma olvidada 
Las noches y los días son sólo
La materialización de silencio ...

Entre las hojas de papel blanco
Puedes ver mis ojos perdidos
Los márgenes de la reunión de las aguas
Llorando su propio fin ...

La verdad brilla en el espejo de cristal
Mientras máscaras en el escenario
Exaltar el destructor avances falsos
Noble tonto del la belle epoque

Mira el horizonte!
Hay una verdad oculta en
Las palabras de los jóvenes que creen en
El sueño de la libertad ...
 

Gheysa Moura

Heinz
, usted me inspiró este poema!
Gracias por su amistad!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MEU CAIS





Meu Cais

Desliguei o mundo
agora só o vazio no fogo das paixões
escuto a risada do vento
que se vangloria de minhas lágrimas.
sinto o frio da brisa cortar minha
pele em mil pedaços e não sinto nada
a dor anestesiou minh'alma
no momento em que o barco partiu
para qualquer lugar aonde não
existe o meu olhar em direção ao horizonte.
a música do tempo já não existe
fica o silêncio de horas esquecidas
de um súbito amor no cais da solidão
e não importa nada, pois já sou o nada
no esquecimento do desejo tão ao meu
alcance e tão distante do real as margens 
da alegria somente o que sobrou da fotografia
traços de Nanquim que não se apagará
no meu cais agora apenas os cartões postais
da felicidade que não volta mais.

Gheysa Moura

Poema dedicado ao meu amigo Arnaldo Pimentel.

domingo, 22 de agosto de 2010

MENSURAÇÃO



Mensuração

Acordei sem rumo, tanta coisa em minha mente...
Quero fugir de mim, mas não sei abrir a porta
Solidão...
Já não sei o que sou, talvez uma heroína
Perdida entre lutas perdidas ou, quem sabe,
Uma ladra na ponte onde a lua ilumina o luto
Do velho palhaço...
Quero gritar, não consigo mais equilibrar-me
Nesta corda bamba!
Deve ser meu fim...
Não importa as lágrimas neste solo
A dor pungente é imensurável em meu olhar.
O show sempre tem que continuar
Ainda que não exista mais o chão.

Gheysa Moura

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ENCONTRAR

ENCONTRAR

Não me espere ao anoitecer
Porque não vai me achar.
Não esqueça: a escuridão é meu algoz!
Sou o que sobrou da maldição
Do crepúsculo de nossa alma.
No momento em que o mar
Perder-se em mim
Encontrará o que nunca partiu
A equação perfeita que
Equilibra o tempo, sem destino
Ou compaixão com o vento.
Meu medo está a sete palmos
Que entra e vai embora sem sair.
Olhe as lágrimas do rio cristalizado
As dores esquecidas na esquina
Do entardecer observando o ponteiro
Que nunca marca nada.

Gheysa Moura

domingo, 1 de agosto de 2010

DEIXA PARTIR

Deixa Partir

Em meus olhos a dor transformada
Na saudade, no medo do amanhã
Mas é hora de deixar partir
Ainda que as palavras continuem
Indecifraveis no papel de seda
Nas linhas da nanquim as lembranças
Tristezas e alegrias que fazem a vida
Ter sentido...
Amanhã, no silêncio das horas
Sentirei o alento do seu olhar
Em minha juventude...
O relógio, contará as horas da
Brincadeira de menina que fez meus
Sonhos objetivo, esquecido, vivido
Lágrimas, risos, conflitos com um
Abraço resolvido ou esquecido...
Ouvirei sozinha seu conselho
Isso me fará lembrar de continuar...

Gheysa Moura

sábado, 24 de julho de 2010

PERDÃO AMOR

Perdão Amor

Vejo o céu que escureceu
Tudo foi como um vinho
Na última noite do ano
Melhor não falar...
O brilho dos fogos de artificio
Anunciaram que nada iria mudar
O próximo beijo ainda espera
Amanhecer na estação...
Quando perco a direção o
Mar socorre minha solidão
Enquanto amamento a dor
Da inexistência do ser
Se você não souber a resposta
Veja o infinito no seu olhar...
Plantou o nada as margens
Do tempo, perdão amor,
Mas nosso filho será sempre silêncio.

Gheysa Moura

sábado, 10 de julho de 2010

JARDIM

JARDIM

O que importa se o vento já não soprar
Se o tempo parou no dia sem adeus
Meus olhos petrificaram os minutos
Do seu silêncio para ser velado
Na noite do meu bem...
De nada adiantou a fuga da ilusão
Se o azul continua aqui
Marcando os ponteiros parados
No badalar dos sinos da catedral.
Embarco na carruagem fúnebre
Para viver a alegria da chuva
Lavando minha face e meu corpo
Fazendo florescer um jardim
Sob a cova do infinito...
Anda...
Não perca a hora do funeral!
Quero ver teus olhos no final
Quero ver se irá brotar dos olhos teus,
A luz da lágrima da verdade
Existindo ou sendo apenas o vinho...
Sinta o aroma do licor que sai
De meus lábios,
É o aroma do infinito,
Do prazer e da alegria
Perdida em lugar nenhum.
24h foi tempo insuficiente
Para ver o barco partir...


Gheysa Moura

sábado, 3 de julho de 2010

AGORA É TARDE













Agora é Tarde

Ao menos diga adeus quando partir
O vazio derrama lágrimas no alpendre
A solidão é como um compasso descompassado
Com gosto de infinito, onde músico
Encontra o sentido para a dor...

Se não quer olhar em meus olhos
Não insista em dizer: olá
Sua voz é uma arma letal
Pronta para destruir o que nunca construi...

Esqueça meu nome, meu telefone!

O tempo precisa levar você para longe
Onde a brisa do outono não pode trazer
Seu perfume  ao amanhecer...

Outrora escolheste deixar-me a dor...

Agora é tarde.

domingo, 27 de junho de 2010

FURTO

FURTO

Ah!

Onde foram parar?
A mim pertencia, não poderiam levar!!!

Agora fico assim, sem saber para onde ir
Quero andar mas não sei andar
Não sei falar, não posso ouvir...

Ai...

Quero gritar, mas somente o silêncio existe.

Por favor...

Eu imploro...

Não, não, não...

Por favor, não faça isso comigo!

Devolva-me!

Para que possa voltar a ser o que sempre fui!
 
--
Gheysa Daniele

quinta-feira, 24 de junho de 2010

AGORA O QUE EU FAÇO

Agora o que eu faço?

No lampejo do farol o aroma do adeus...

Adeus!

Já não sou a mesma...
A dor levou o sabor do dia com a brisa
Fria que vem do norte...

Caminhar, caminhar, caminhar...

Não importa o que vejo acima dos
Girassóis, isso não tem mais sentido
Agora que lanço meu corpo do
Penhasco das horas...

Mas minha mente agora é liberta
Longe dos grilhões da razão
Politicamente correta do entardecer
Agora, sou parte do nada...

Sou parte da angustia de quem não
Conheci, apenas por ser o fim
Das cores na tela do artista
Que sorri diante da escuridão...

Por favor, deixe-me agora!

Não quero ver a luz dos olhos
Teus que revelam a culpa
Existente do vazio em meio ao circo...

Não, não! 

Agora o que eu faço?
Saia de mim, para que
Possa descobrir a madrugada
Em mim...

Gheysa Moura

terça-feira, 22 de junho de 2010

AMOR IMPROVAVEL

Amor improvável

Sonho sonhado na corda bamba do artista
Um passo da loucura outro da razão
Que me fez esquecer a força da paixão
Mas não sou poesia, sou apenas menina.

Mas a luz do farol vai guiar sua nau
Na tempestade do tempo incerto
Enquanto espera o desabrochar das flores
No jardim cinza da cidade das cores.

Ó destino, sua crueldade é imperdoável
Num golpe de mestre, usa os anos para
Levar o amor para longe de mim!

Mas improvável aconteceu, apesar da distancia

Os anos me fez assim, emoção e razão
Trazendo o amor para perto de mim.

Gheysa Moura 

domingo, 20 de junho de 2010

ESPELHO

ESPELHO

Não sei que horas marca o relógio
Olho e nada vejo além da alma
De quem nunca vi além dos espelhos
Indicando o horizonte...

Busco coragem onde existe somente dor
Para em teus braços descansar
Sentindo o acalanto do calor dos lábios teus
Onde a morte dança ao som do bolero da vida.

Apenas não esqueça o tempo...

Se for pecado desejar,
Estou condenada ao fogo do inferno
Mas não posso me arrepender de
Querer o teu gosto, de querer
Sentir você dentro de mim.

No templo frio o espelho se quebrará
E no seu ouvido, apenas o sussurrar
Dos segredos de minh'alma...

--
Gheysa Daniele

quinta-feira, 17 de junho de 2010

DESEJO

sDESEJO
 
Realiza meu desejo se sabes qual é!
Diz que vai mudar minha vida em um
Segundo e o silêncio irá responder
Por mim se sim ou não.

Quero sim o teu carinho, acordar ouvindo
O sussurrar de tua voz em meu ouvido
Esquecer que sou menina, em seus braços
Ser mulher, ser magia, ser poesia...
Não é fácil deixar-te para depois
Por que desejo você hoje, agora
Rápido, sem palavras, com beijos
E sem beijos, mas preciso
Sentir teu corpo pesar sobre o meu.
No leito em que nunca deitas-te
Sinto seu cheiro de homem a
Na louca consumação da libido
Que me faz acordar amando você.
Não é enfeite em meu travesseiro
É a presença inexistente do ser
Do som do gozo, suave que nunca
Ouvi sair de seus lábios.
Meu desejo é o teu prazer
Ainda que não acredites no anoitecer
Mas em meus olhos sempre
Haverá o sol do amanhecer
Que existe em teu olhar
Quando diz que me ama.
--
Gheysa Daniele

terça-feira, 25 de maio de 2010

DESEJO


DESEJO

Ah!

Como eu queria que esta noite

Minha amada deleita-se em meu colo

E desfrutássemos do calor mutuo de nossos corpos

Seria como ir ao céu em milésimos de segundo

E contemplar mais de perto a beleza do firmamento

E assim poder ser uma gota do Amor verdadeiro


Como o orvalho da madrugada que faz

O girassol germinar ao amanhecer

Ah! Leve-me para junto de ti!



Mas como ficar longe de você?

Como não mergulhar profundamente no teu seio?

Como não deliciar-me em teus lábios?

Seria eu louco se me abstivesse disso!



No espelho de sua alma vejo o lampejo

Do gozo que me seduz e não posso resistir

Todos os caminhos apontam para o horizonte

Onde posso sentir a suavidade dos teus lábios

Descobrindo os mistérios do meu corpo

Um suave veneno correndo em minhas veias

Fazendo-me mulher...



 Gheysa Moura & Edney Santos

sábado, 22 de maio de 2010

O SOL DO MEIO-DIA

SOL DO MEIO-DIA

No silêncio inerte da chuva fina
Que recai sobre o tapete verde
Sinto o cheiro da terra e do sangue
Tribal que corre em nossas veias.
Uma corrente tecida pela aranha
Poderosa e capitalista que
Instaura o medo do coletivo.
Quem importa sou eu!
Não  interessa a sua dor.
Pobre coitado, padece
Sob o mesmo sol do meio-dia
Que consome as flores
Do jardim enquanto esperam
Que a ilusão sacie sua fome.
Cante comigo na Praça 
Embalada pela Saudade
Do luar quando descemos
O Andirá!
Pode ser verdade, ainda que
Tardiamente, sinta o gosto
Da terra que acolhe o mundo
Que a exclui e norteia
Em meio ao ser e o não ser
Da patusca do malandro
Que finge ser o rei do capital.
Mas faz tanto tempo que meu
Povo esqueceu a cor do
Pendão da esperança...
(Gheysa Moura)

domingo, 25 de abril de 2010

FECHE OS OLHOS

FECHE OS OLHOS

Feche os olhos...
Não pronuncie nenhuma palavra
Apenas ouça a voz do tempo anunciado
A despedida do luar...
Levante seu rosto e deixe que suavemente
O orvalho lave o passado que marca com
A dor o brilho das estrelas infantis...
Sinta a brisa do alvorecer desalinhando
Seus cabelos e imagine os lábios de quem
Se ama acariciando sua nuca enquanto
Sentes o calor dos primeiros raios de sol...
Não abra os olhos...
Apenas sinta as mãos do destino desvendando
Os mistérios do corpo e da alma
Enquanto sente o sabor do dia adocicando
O amargor do anoitecer solitário...
Escute o som das águas do Negro rio
Levando seu coração para junto do Solimões
Abra os braços para receber o carinho
Da primavera inexistente da Amazônia
Sabendo que esta terra quente e úmida
Não conhece o cheiro do outono...
Ainda assim...
Feche os olhos e sinta no inverno do Norte
A alegria deste inferno verde que sempre
Nos faz desejar mais e mais a paz.

--
Gheysa Daniele

sexta-feira, 23 de abril de 2010

SE ME AMAS


Se me amas...

Por que ignoras meu olhar... 
E desejas fazer de mim aquilo que nunca poderei ser.
Não concordei com você uma vez, 
Mas... 
Nunca te disse adeus.
Relendo suas frases... vi seu pedido de nunca o deixar
Nunca o deixei.... mas tu me deixaste 
Na orilha do poema insâno...
Sua psicose acima do meu real
Não significa nada além do silêncio de janeiro
Meu danna embarcou na nau que levou
A suavidade da bailarina refletida no quadro
Do espelho dos olhos teus...
E no amanhecer... ainda espero desfalecer nos
Braços do Elfo.

Gheysa Daniele

sábado, 17 de abril de 2010

ASSIM

ASSIM

Assim...
Quando morta para o prazer estava
Trouxeste o soro caseiro para alimentar
O que antes era esquecimento.
Nem mulher, nem menina
Apenas a sombra do que não foi
Buscando o caminho para o que é
Onde nada será.
Talvez se antes do nada houvesse
Aprendido a beleza do teu olhar
Não teria somente a curtição
Da hora furtiva da quarta-feira...
O desejo juvenil dos lábios teus
Que me fazem descobrir o
Gozo do que vai contra
Meu pensamento...
Deve ser, um pouquinho de satisfação
Um pouquinho da solidão
Mas faz parte de mim, morar em ti
Ainda que recomece o melhor
Ainda que seja somente um segundo
Mesmo que me arranque o sexo
Meu desejo é teu sabor e teu cheiro...
Não importa a honra, só o prazer
Da madrugada insana.
 
--
Gheysa Daniele

sábado, 10 de abril de 2010

LUZ DO INFINITO






 
 LUZ DO INFINITO


A luz transpassa meu corpo
Fazendo-me nada no universo
Dos lábios que nunca conheci
Não importa a poeira em meus
Olhos a solidão sempre me faz
Jovem diante da dor.
O traço do infinito que destrui
As grades do tempo.

Gheysa Moura

sexta-feira, 26 de março de 2010

ÁGUAS DE SOLIDÃO



ÁGUAS DE SOLIDÃO
 
O som do telefone anunciou a dor
Que deveras mata sem morrer
Olhando a trilha das estrelas
Pergunto-me se há sentido nos
Passos da humanidade.
Parece estarmos caminhado
Para nunca chegar a luz
Fazemos tudo em troca de
Café, açúcar e pão
Buscando o crescimento
Na tristeza de quem abandona
A vida...
Não sou santa, também não
Sou demónio, sou o que sou
Sem saber exactamente quem sou
Mas sigo em frente, mesmo sozinha
Para não me afogar nas águas
Da solidão.
--
Gheysa Daniele

quarta-feira, 17 de março de 2010

A MELODIA


A Melodia

Sim, é esta a melodia da mais bela
Sinfonia silenciando o relógio da ilusão.
Desvairadamente perco-me
No cálculo lógico e incoerente
Desse mundo cientifícamente
Insano dos lábios teus...
O vento grita negando a existência
Da atração virtual do saber.
Não, não quero acreditar no tempo
A melodia revela o fogo do desejo
No olhar faceiro do amanhecer
Não, não deixe o vento te levar
Pelas linhas imaginarias que dividem
O mundo surdo, que esconde
A verdade dos meus olhos.
Escute, por favor escute!
Nas ondas do mar quebrando
Nos arrecifes, o canto do gozo
Do meu surruso nos braços teus...
Uma mistura de sacro e profano
Que me faz leve.

Gheysa Moura 


quinta-feira, 4 de março de 2010

NANQUIM

 
NANQUIM
O que importa agora?
Se os olhos da noite com seu mistério
Envolveu-me com o brilho do cristal
Incendiando minh'alma submersa neste rio.
Desço as cordilheiras do teu abraço
Absorvida pelo suor da poesia
Me transformo no pó de sua inspiração.
Nas lágrimas prazerosas de ver o sol se por
Sentindo-o renascer dentro de mim
Pedindo passagem para o desconhecido.
Suavemente silencia meu olhar
Quando desfaleço na certeza de ser
Somente a ilusão de um papel mache
Que ironicamente se fez belo aos olhos teus.
Não importa nada...
Prefiro estar presa na ponta de seu Nanquim.

(Gheysa Daniele)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ÍNDIO






Índio


No chão de barro molhado
Segue o índio  para seu calvário,
Compassados passos
Em caminhos que outrora
A vida representava.


A várzea agora ampara as lágrimas
Do poderoso Tupã.


As lutas foram enterradas por sob a terra,
Curumins e cunhantãs agora estão
Presos ao sonho da caixa preta de
Brilho cintilante...


A chuva leva as marcas do rosto
De guerreiros sem luta,
As lembranças proclamadas para o vento
Perderam-se nas cordilheiras do tempo.


Seu maior tesouro descansa em paz
A sete palmos no fundo do rio.


E agora...


Quem somos nós?


(Gheysa Moura)



domingo, 24 de janeiro de 2010

AMAZÔNIA CHOROU

AMAZÔNIA CHOROU

Foi assim que o domingo começou
Amazônia chorou despedindo-se
De quem não deveria partir...
O sol reverenciou o caboclo ribeirinho 
Que outrora banhava os pés nas águas do  rio Andirá...
Seu coração era o barco que rasgava o seio
Amazônico carregando consigo a família.
Ai... Que falta sinto de sua voz ao entardecer!
Misturada ao canto do vento contava
As doces lembranças da terra do caju...
Maria do Bom Socorro, a quem era devoto, amparai-nos
Neste momento em que estamos sem esteio!
O coração de Barreirinha são teus passos
Que nós, jovens, vamos seguir!
O lindo alvorecer anunciou seu encontro
Com a esposa amada e junto com os Anjos
Agora, roga por nós a Deus.



CRIANÇA

















CRIANÇA

A dor do teu olhar não é maior
Que a dor do meu olhar de criança
Perdida, esquecida, sem cor e sem comida.
Olhas mas não me vê entre os restos
De um pobre país perdido das Américas.
E quando chega a noite e os boinas
Azuis vão viver os seus azuis
Eu, sem casa, sem morada
Tenho somente o frio para aquecer
Meu coração que muito cedo
Descobriu o que é desesperança.
Mesmo assim, posso dividir
O que aprendi com você.
O dia amanhece...
E na minha solidão posso ouvir
Entre as nuvens do céu
A voz dos meus, que um dia
O tremor da terra levou.

(Gheysa Moura)

sábado, 16 de janeiro de 2010

REMORSO

Remorso



Como podes dizer confuso o som do
Relógio do tempo que faz do silêncio
O moinho do destino que desfaz o
Não que prende tuas mãos no vazio.

Como podes julgar-me ausente
Se sou a sombra onde podes abrigar-se
Do sol e recuperar as forças para continuar a
Lida neste inferno salobro em que te faço
Belicoso para enfrentar o desconhecido.




Ah! Como podes querer negar-me teu afeto
Se a chuva que te lava alma são as lágrimas
Do alvorecer dos olhos meus que alimentam
A terra em que floresce o vale verde onde
Podes escrever rimas ao entardecer.

Tuas lágrimas são punhais que transpassam
Minh'alma neste campo verdejante
Em que morro a cada instante para que vivas
Teus sonhos de menino.

Menino alegre, menino travesso que um dia
Encontrei na janela do anoitecer e
Sorrindo busquei no menestrel a ternura
De seu olhar e, sem medo desejei os lábios beijar.

Mas se prefere assim...
Das suas palavras farei minha mortalha
Sim, suas frias palavras que mataram
Os azuis serão tudo que terei.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

INA

Ina

Olhando o tempo inerte da rua
Percebo a incompreensão de 
Quem não me vê...
Estou em uma encruzilhada
Onde todos os lados
Me levam ao nada...
Não sei o que fazer!
Não aguento mais a Ina!
Essa bendita ina que me faz
Perder o sono da madrugada
Sempre acompandado da
Corte que me faz de boba
Enquanto tento sair para ver o sol
Que tanto amo neste inferno verde
Mas este sol...
Me mata lentamente até a salvação
Do Fê que só existe no fim da noite
Cuja alegria é maltratar-me enquanto caminho
Com passos lentos pelas calçadas
Das ruas de cristal...
Não me obrigue a dizer o que não sei!
Não aguento mais as inas e os fês
Mas preciso do corti para não
Perder o sangue de minha inspiração
Pelas narinas enquanto vomito
As pedras de gelos que somente
Tu vês em mim...
Estou morrendo dia a dia sob o luar
Mas você prefere ver o que não existe.

sábado, 9 de janeiro de 2010

AH! O AMOR...

AH! O AMOR...
 
O veneno criado por deuses...
Sim... Sempre o culpado dos grandes
Desatinos da vida... E no entanto...
Ele é apenas uma obra divina
Que nos alimenta e dá vida.
O que mais nos consumiria?
Um veneno... ou um rémedio?
Pois quando bem utilizado
Cura todo mal...
Alivia toda dor...


 
Se torna eterno, pelo simples fato
De ser perfeito amor de Deus...
Lembra-te que o criador provou de
Seu amor ao contemplar sua obra?!
A loucura máxima de um sentimento
Capaz de morrer para salvar quem ainda

Nem mesmo existia... para salvar
Aqueles que ama!
 
Pobre amor... quem lhe dará razão?

QUANDO ACABA AS PALAVRAS

QUANDO ACABA AS PALAVRAS


Como quando se acaba as palavras
Mesmo havendo uma tempestade
De versos em sua mente.

Sinto o vento suavemente acariciar
Minha face, fazendo-me estremecer
Querer, esquecer, enlouquecer
Em poucos segundos de eternidade...

Andando a esmo pelas asas da
Ilusão de mãos dadas com a solidão
Ouvindo a trilha sonora do amanhecer.

Junto com a explosão das palavras
A certeza do nada...
Uma mistura homogênea de luz e escuridão.

Mas a caneta já não está em minhas mãos...